Observamos a expressão “vítimas
da sociedade” ser defendida quando certos componentes da coletividade descrevem
ou justificam aqueles que, segundo os defensores dessa ideia, foram
marginalizados ou prejudicados pelo sistema social, sendo assim levados a atos
delituosos. Discordo de pronto* dessa
afirmação, pois entendo que uma má condição social ou um sistema
discriminatório pode até ter certa influência, mas não terá o poder de anular
um indivíduo, como se fosse um carma.** definitivo.
Defendo intransigentemente que
todos terão, pelo menos, a mínima oportunidade de ascender socialmente. Se alta
condição social fosse sinal de sucesso ou felicidade, não teríamos tantos
filhos de ricos desnorteados ou com tantas encrencas.
Diversos
famosos e pessoas anônimas superaram a miséria antes de alcançarem o sucesso.
Entre alguns exemplos de celebridades que não se dobraram perante o infortúnio,
temos:
- Ator Jim Carrey: chegou a ser morador de rua.
- Pelé: nascido
em uma família humilde, se transformou em ícone mundial.
- Cantor Gusttavo Lima: chegou a morar em um barraco de lona antes de
alcançar a fama.
- Apresentadora de TV americana Oprah Winfrey: passou fome e se tornou
muito influente na mídia, além de riquíssima.
- Elvis Presley: o rei
do rock cresceu em uma família pobre do Mississippi.
- Jogador Thiago Silva: cresceu em uma favela do Rio de Janeiro e passou por
muitas dificuldades antes de se destacar.
- O cantor britânico Ed Sheeran, antes do sucesso, dormia em
estações de metrô em Londres, onde tocava violão por moedas e se alimentava com
sobras de comida.
Enfim, a
lista é extensa, mas paro nestes. Poderia citar outros exemplos de pessoas
famosas, bem como de desconhecidos que, contraditoriamente, “tinham tudo para
não ter nada.”
Entendo que é um tema complexo,
mas não concordo com a expressão “vítimas da sociedade” para justificar a
marginalização social e, dessa forma, tornar um delinquente livre de culpa.
Claro que existe uma forte desigualdade social no mundo. Disso não podemos
fugir, mas querer estabelecer que isso leva muitos a se marginalizarem não é
plausível.
Conheço indivíduos que vieram de
famílias ricas e perderam tudo, e muitos que foram criados praticamente na
miséria e hoje estão bem financeiramente, justamente por acreditarem em si
mesmos e lutarem para ter dias melhores. Não se sujeitaram às poucas
condições em que nasceram e batalharam o suficiente para não se tornarem uma
aparente “vítima da sociedade”.
A vida não é fácil e reconheço
que, se formos fracos, seremos moídos pelas adversidades. Mas, para esse
enfrentamento, temos a força de vontade e, principalmente, o auxílio divino,
que não faltará para aquele que confia em Deus. O Senhor Jesus, na vida de um
servo fiel, seja ele pobre ou rico, será um suporte para que um possa ascender
socialmente e que o outro se mantenha em boa condição financeira.
O Salmo 40:17 atesta: “Mas eu sou pobre e necessitado; contudo, o
Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador.” Desta forma,
tal fragmento bíblico atesta que Deus não desampara o homem, até mesmo aquele
que se declara vítima da sociedade. Entendo que quem pensa assim é vítima de si
mesmo, pois não possui garra e uma fé suficiente em Deus.
Deus,
para ajudar os mais necessitados, usará alguém como um “auxiliador” numa
situação complicada, ou ainda fará algo ainda maior para aquele que crê e
espera Nele. Conforme o salmista expôs no Salmo 37:25: “Fui moço e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado, nem a
sua descendência mendigar o pão." Passaremos
por privações e teremos dias difíceis; porém, uma pessoa justa e fiel a Deus
não será desamparada por Ele a ponto de passar fome.
Justificar
infortúnios culpando a sociedade é uma das formas de não assumir a própria
responsabilidade ou de transferir erros que podiam ser evitados, principalmente
fazendo a parte que lhe cabe e, acima de tudo, acreditando em Deus.
Realmente, os tempos
são difíceis e, ao que parece, ficarão ainda mais complicados, mas confiem que
Deus jamais desamparará aqueles que Nele creem.
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* “Discordo de pronto" é uma expressão
que significa discordar imediatamente ou sem hesitação de algo que acabou de
ser dito ou proposto.
**No sentido de uma situação desagradável, com
a qual se tem que conviver durante toda a vida.