
Há
poucos dias, passei por uma experiência curiosa, mas também um pouco
estressante. Ao me dirigir para minha residência pelo caminho que costumo
trafegar, em determinado momento, uma voz interior me aconselhou a ir por outro
itinerário. Ocorre que isso aumentaria em poucos metros a distância percorrida,
o que não me atrasaria em quase nada. Só que não atendi à sugestão do coração.
Para quê? Ao continuar no itinerário rotineiro, um rapaz que parecia um
“guardador de carros”, visivelmente transtornado, parou o automóvel na minha
frente, interrompendo todo o trânsito e indicando que iria resolver um problema
no estacionamento de um banco. O problema é que havia vários carros atrás de
mim que começaram a buzinar em consonância. E o rapaz nem aí, e o meu receio era
que ele quisesse descontar em mim, por ser o mais próximo dele, a contenda
pública que o ato de insanidade dele estava proporcionando. Passado um bom tempo, ele tirou o
carro da frente e continuei no meu trajeto, lamentando por não ter atendido à
“ADVERTÊNCIA INTERIOR”, que podemos aqui declinar como a famosa INTUIÇÃO, ou melhor
ainda, a voz divina bradando: "Não vá por aí."
Pois bem, intuição é a capacidade
de entender ou decidir algo de forma rápida e direta. Ela aparece como um
“aviso” ou um palpite interno, que pode ser derivado de memórias e padrões
comportamentais. A intuição é um tema enigmático que fascina psicólogos,
religiosos, filósofos e até aqueles que nada compreendem sobre o tema.
Sabe
aquele pensamento de que algo não vai dar certo?
Se você possui
essa sensação e realmente acontece, pode ter uma capacidade admirável de intuir
determinadas coisas.
Pela
intuição, possuímos a aptidão de compreender, julgar ou sentir algo de maneira
imediata. Embora não seja considerada uma verdade absoluta, a intuição tende a
ser útil em muitos casos.
É
evidente que a “intuição” não pode ser baseada tão somente nas emoções, mas em
uma combinação vitoriosa, onde entram a inteligência emocional, o sentimento, a
razão e as experiências existenciais. Por isso, muito embora existam jovens
intuitivos, esse instinto é mais constante entre pessoas com maturidade mais
acentuada e elevada.
Quando
não temos um maior tempo para decidir pacientemente, devemos escutar o coração,
como no caso de suspeitar sobre um determinado caminho. Nesta situação, ore e
escute o que Deus colocar no seu coração. Se sentir que deve mudar de
trajetória, faça isso imediatamente. Não se lance de peito aberto* no
itinerário, quando a intuição de “não” piscar fortemente no seu interior.
Aquela cisma de algo, nem sempre explicada à luz da razão, tem livrado muitos
de perigos.
Enfatizo que, quando se tratar de
uma decisão mais séria, só a suspeita não deve se estabelecer, notadamente se
você tiver um maior tempo para a deliberação. Todavia, a intuição deve ser
levada também em consideração.
A
intuição não é magia, mas um mecanismo natural de alerta, como o reconhecimento
de certos padrões da mente humana. E essa intuição surge, às vezes, com uma
forte inquietação, antes até mesmo de a razão distinguir totalmente a situação.
Daí, o cérebro examina a conjuntura e junta as experiências vivenciadas em
instantes. Há momentos em que estamos passando por um dilema que exige uma
rápida decisão. Aí nos perguntamos: “Devo confiar no que estou sentindo ou no
que analiso pela razão?” Como já amplamente externado, se a decisão tiver que
ser rápida, confie na intuição, desde que logicamente não te traga maiores
dissabores ou um forte arrependimento. Intuir sim, mas se prejudicar não.
Por outro
lado, quando abordamos a intuição à luz da Bíblia, tal termo não é usado no
sentido moderno da psicologia, mas descreve conceitos paralelos, como aquela
voz do coração, o testemunho do espírito e o discernimento
espiritual concedido por Deus ao indivíduo. Esta explicação torna-se
imprescindível, pois, mesmo para alguém que já seja instintivo desde jovem, a intuição
(discernimento) aumentará ainda mais quando o relacionamento com Deus se
consolidar.
O livro
bíblico de Jó 38:38 menciona que Deus coloca sabedoria e entendimento no
coração do homem. O Espírito Santo orienta os pensamentos e as decisões daquele
que crê, e isso advirá com paz interior e clareza. Desta forma, qualquer
impulso ou voz interior torna-se necessário entrar em concordância com aquilo
que é bíblico.
Assim, ao
passares por momentos em que a intuição (chame-a como quiser) é necessária,
faça aquela oração rápida a Deus, que efetivamente te mostrará o que deves
fazer, não esquecendo que:
- A verdadeira
direção do Senhor traz paz e não confusão e medo (Filipenses 4:7);
- Decisões
importantes não devem se basear tão somente em impressões solitárias, mas
também no recebimento de conselhos sábios (Provérbios 15:22).
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*A
expressão "não se
lance de peito aberto" é um conselho de prudência. Ela
significa não agir por
impulso, sem proteção ou sem avaliar os riscos antes de entrar
em uma situação.